segunda-feira, 3 de abril de 2017

Conto:O ENVIADO

Conto especialmente dedicado ao meu querido filho, Marcos Carlos:

Do meu livro de Contos "Transcendências":

O ENVIADO


As ordens haviam sido claras: ele devia testar, uma por uma, todas aquelas pessoas que lhe iriam sendo indicadas.
- Agora, vai, Miqueias! - Disse-lhe o seu Mestre, com um sorriso benévolo. - Quanto antes comeces a cumprir essa missão, tanto melhor! Eu irei estando ao corrente! E vou indicando-te tudo o que tenhas que ir fazendo, onde deves dirigir-te e a quem! Vai, amigo! Bom trabalho!
- Sim, Mestre! Farei tudo o que me ordenas! É uma honra e um prazer, para mim, servir-Te, obedecer-Te! Graças, por esta nova missão! Pela Tua benignidade para comigo! Graças!
Miqueias retirou-se da presença do seu Soberano e Mestre, com uma profunda e respeitosa vénia. Embarcou no carro que o levaria longe, bem rapidamente. O Mestre sorriu, satisfeito: aquele seu servo era único, exemplar!

Haveria muita gente que submeter à prova que lhe havia sido pedido que realizasse. Ele, um mensageiro distinto, já atravessara várias eras, mantendo o seu aspecto de jovem adulto: Os cabelos longos, escuros, que nunca haviam sido cortados, tal como os do Mestre, a barba lisa onde nunca passava navalha, tudo isso por ser nazireu. O seu olhar era límpido e compassivo, franco e directo. Sendo um coração puro, e não tendo nada a temer, nem a esconder, encarava fosse quem fosse com o seu olhar sereno. Sabia que, por entre a multidão de vassalos de que o seu Rei estava constantemente rodeado, nenhum havia como ele próprio, embora só os íntegros e os mais puros tivessem o privilégio de poder chegar perto do Rei. Cada um dos seus súbditos era incumbido de uma missão específica, mais ou menos duradoura, mais ou menos prolongada, consoante se apresentasse a necessidade. Miqueias já havia sido, mais de uma vez, incumbido de missões difíceis, que só ele, no dizer do seu Mestre, era capaz de realizar. E, de cada vez, havia sido agraciado com condecorações e prémios, e apontado como exemplo máximo aos seus companheiros. Cada uma dessas missões era levada a cabo com mais ou menos dificuldades, e sempre, no entanto, corajosamente. Miqueias sempre dizia aos seus companheiros que, pelo seu Mestre, Senhor e Rei, tudo valia a pena, tudo era possível de ser executado. Ele, Miqueias, amava-O mais do que a própria vida, e daria, de bom grado, essa mesma vida, sem hesitar, por Ele!

Passou cerca de um mês terrestre... Miqueias foi a vários lugares, levar as mensagens do seu Mestre a humanos que as tinham que receber. Correra vários perigos, sofrera contrariedades e atrasos indesejados, mas conseguira cumprir as ordens recebidas. Quase tudo estava cumprido. Faltava agora apenas uma localidade onde ir, e uma tarefa a pôr em prática.
Miqueias apresentava-se, normalmente, vestido consoante as épocas atravessadas, na Terra, e conforme o aspecto considerado normal nessas eras, pelos humanos, com os quais ele se tornava parecido, afim de não chocar nem escandalizar fosse quem fosse. Metamorfoseava-se como e quando era necessário... Isso não era algo de sua vontade própria, mas uma adaptação que lhe era imposta em cumprimento do dever. Era como um soldado que se caracteriza com camuflagem para passar despercebido no campo de batalha, incógnito e invisível perante os inimigos... Ele aceitava sempre essa adaptação, de bom grado, pois sabia-a necessária, e não se importava com isso: Tudo por servir ao Mestre, mais e melhor! Desta feita, em pleno século vinte e um, trajava uma simples camisa de flanela, com padrões de xadrez, um blusão de ganga, com aspecto um pouco gasto, umas calças que pareciam ser de ganga, também um tanto desgastadas, como estava nesse momento na moda, na Terra... O calçado tinha o aspecto de já ter sido usado durante algum tempo. Estava bem disfarçado, de peregrino que chega de longe, para aquilo que tinha a fazer, de momento: bater a certas portas daquela aldeia perdida na serra, testar algumas dessas pessoas, pedindo ajuda. As reacções das pessoas demonstrariam as intenções dos seus corações, e o seu humanismo. Miqueias sabia que o seu aspecto actualizado poderia convencer pelo menos algumas daquelas humildes pessoas que por ali viviam, com muito fracos recursos. Outras casas havia ali, de pessoas que haviam-nas herdado das suas famílias, e onde apenas podiam ir nas férias, por ter tido que emigrar para as cidades, em busca de trabalho. Essas eram pessoas com mais recursos. E ele, possivelmente, também convenceria alguns dos ricos, cujas mansões se encontravam por perto, embora não fossem muitos. O Mestre lhe assinalaria prontamente a que portas bater. Isso não tardou, de facto, pois de imediato, consultou-se com Ele:
-Mestre! Agora que acabei de chegar, diz-me a que portas hei-de ir bater, suplico-Te! - Pediu, num murmúrio, enquanto parava à entrada da aldeia, como que para retomar o fôlego, depois de uma árdua caminhada.
Ninguém, humanamente limitado à simples existência terrena, e sem o dom de visão espiritual, poderia ter visto que ele acabara de descer de um carro celeste. Sabia que o anjo que o transportara até ali se pusera à sua disposição, mas que, de momento, também tinha ele próprio outras tarefas a realizar, não muito longe dali.
Bateu a uma porta, depois a outra e outras, ainda. Algumas abriram-se, atendendo-o afavelmente quem à porta aparecia. Noutras nem recebeu resposta. Outras, ainda, foram entreabertas de má vontade, e com maus modos, fechando-se-lhe de seguida na cara e à bruta. Inclusive, implicaram com o facto de ele ter o cabelo comprido, e chamaram-lhe nomes, embora ele o tivesse atado atrás, para aligeirar um pouco o seu aspecto: humilde, mas asseado, limpo. Ele não se espantou com o facto, pois já estava à espera disso. Já não era a primeira vez que provocava nas pessoas esse tipo de reacções. Havia muita gente preconceituosa no mundo! Ele não as julgava pelos seus comportamentos. Apenas as estava a assinalar ao seu Mestre.
- Mestre! – Disse ele, baixinho, depois da última porta daquele pequeno arruamento se ter fechado nas suas costas. – Estão assinaladas as pessoas que me indicaste! Que mais desejas que faça, meu Senhor?
-Missão cumprida, Miqueias!Agora, deixa-os comigo! Reagiram como lhes ditaram os corações, e eu estava a dar-lhes nova oportunidade! Semearam aquilo que irão colher, em justiça! Agora, vai àquela casa, do outro lado da rua! - Disse-lhe a Voz Divina e Interior que o guiava em todo o tempo. Está lá uma das minhas filhas, muito querida, que me serve de todo o coração. É uma jovem. Quero que a conheças. Ser-te-à de muita ajuda, e receber-te-à muito cordialmente. Chama-se Isabel. Ela falará contigo e te contará pormenores da sua vida. Está avisada por Mim da tua vinda. Mas não lhe reveles que és um Imortal! Nem lhe digas que sabes o seu nome! Apresenta-te do modo que te ordenei. Deixa que ela se te apresente também, e que ela própria te fale de si! Ela apenas espera um servo de Deus, um peregrino, nada mais!
-Certo, Mestre! Assim seja! – Respondeu, baixinho, Miqueias. – Estou nas Tuas Mãos, meu Senhor!
Pouco depois, bateu à porta daquela vivenda típica. Uns passos se fizeram prontamente ouvir, e uma voz fresca, alegre e juvenil perguntou, de dentro:
-Quem é?
-Se faz favor!
Após alguns ruídos característicos de quem destranca uma porta, esta abriu-se um tanto pesadamente. Diante de Miqueias, estava, de facto, um rosto jovem. Miqueias reparou que Isabel era bonita: Cabelos pretos compridos, fartos e brilhantes, presos num rabo-de-cavalo lateral. Olhos verdes e grandes, pestanudos. Pele branca e delicada. Altura média, e um corpo bem proporcionado. Vestida simplesmente, com uma calça de ganga clara e uma blusa de algodão estampada, de mangas arregaçadas. Uns ténis simples. A simplicidade em forma de mulher! O servo de Deus apresentou-se:
- Bom dia, minha senhora! O meu nome é Miqueias, e sou um peregrino. Peço desculpa de a incomodar! Acabo de chegar a esta aldeia… Preciso de ajuda, e bati à sua porta, na esperança de que me pudesse fornecer algum alimento, pois o pouco dinheiro que eu trazia comigo se me acabou e necessito algo de comer…
-Bom dia! Ajudá-lo-ei, com certeza! Entre! – Disse prontamente a jovem, cujo sorriso juvenil se manifestava agora, depois de o ter escutado muito seriamente, e observado com atenção. Isabel acabara de conferir que Miqueias correspondia inteiramente à descrição que o Mestre lhe acabara de dar, pouco antes, a seu respeito, e que ali estava, sem mentiras, nem subterfúgios. Ela fora efectivamente avisada da vinda do peregrino, do seu aspecto e do seu nome. Havia-lhe sido pedido que o recebesse cordialmente, por se tratar de um servo de Deus, um verdadeiro cristão.
- Ouça, Miqueias: é a minha vez de me apresentar. O meu nome é Isabel!Esta é a casa dos meus pais, onde costumo passar férias. Sente-se aqui, à mesa, por favor! Descanse um pouco! E, já agora, faça-me companhia para o pequeno-almoço! – Ofereceu ela, indicando-lhe uma cadeira, na divisão onde o fizera entrar.
Tratava-se de uma cozinha rústica, que servia ao mesmo tempo de sala, como era costume nas casas de campo tradicionais. A mesa estava posta, bem fornecida, do que parecia constituir um pequeno almoço moderno.
Ele seguiu a indicação dela e sentou-se no lugar oferecido. Entretanto, Isabel aproximara-se de um antigo guarda-loiças, de onde extraiu uma antiga caneca de loiça típica da região, e um pratinho do mesmo género, para além de um copo de vidro colorido e trabalhado, coisas que apanhou ao abrir a porta dupla de vidro transparente. Dispôs os objectos na mesa, diante do lugar onde Miqueias estava, finalmente, sentado. Depois, de modo rápido e grácil, abriu uma gaveta do mesmo guarda-loiças, de onde extraiu, por sua vez, um garfo, uma faca, uma colher pequena, que lhe entregou à mão, gentilmente, dizendo, em tom de confidência e sem deixar de sorrir:
- Sirva-se! É um prazer para mim ter companhia para esta refeição matinal! Estou aqui passando umas breves férias, após as quais terei de regressar ao trabalho, a alguns quilómetros daqui!
- Se eu não estiver sendo indiscreto, em que trabalha, Isabel?
-Sou enfermeira, em Lisboa, na maternidade Alfredo da Costa!
- E gosta do seu trabalho?
- Muito! É algo para o qual sempre senti vocação: ajudar pequenos seres humanos, frágeis e indefesos, a vir ao mundo! É um tanto cansativo, por ter uma carga horária prolongada, diariamente, mas empolgante! Sabe, Miqueias? Em cada parto presenciado, em cada recém-nascido que ajudo a pôr no mundo, vejo sempre, sem cessar, o Milagre da Vida! É fascinante! E disso, não me canso nunca!
- Calculo que assim seja! Também já tive ocasião de presenciar alguns, não directamente, mas através da televisão. Sou da mesma opinião! É maravilhoso! Mexe connosco, não é verdade?
-Mesmo! Muito! E você, Miqueias? Disse-me há pouco que é peregrino…
-Sim! Já andei muito, de terra em terra... Já desempenhei alguns cargos de muita responsabilidade... Tinha de viajar muito, nesses trabalhos... Acabo de chegar de viagem, como lhe disse, e sou cristão. Também trabalho para o meu Mestre e Senhor, sempre que necessário!
A conversa prosseguiu, em ameno convívio, durante aquela refeição. Combinaram que Miqueias poderia ficar o tempo necessário naquela casa, enquanto Isabel estivesse de férias. Depois se veria o que poderiam fazer, no tocante à estadia dele ali .
Passaram ambos horas agradáveis, em que Miqueias se ofereceu para ajudar Isabel a arrumar a casa e consertar algumas coisas, fazer um pouco de limpeza nas várias divisões.
Havia já vários dias que Miqueias se encontrava a viver na casa de Isabel ... Sentia-se feliz após ter cumprido a parte essencial da missão que o seu Mestre lhe incumbira, nessa aldeia, e sabia que não estava a desobedecer de modo algum ao que lhe havia sido ordenado. Pelo contrário, fora recebendo mais directrizes do seu Senhor, e por isso se encontrava ali. A sua nova amiga era simpática. Recebera-o impecavelmente. Mas ele sentia nascer por ela algo de que não estava à espera, de todo. Em oração íntima, num momento em que ela não se encontrava perto, falou a esse respeito com o Mestre:
- Meu Senhor! Que é isto, que agora sinto? Sabes que eu nunca tive nenhuma mulher...
-Meu caro Miqueias! Não criei nenhum ser para estar só! Nem a ti! Bem o sabes!
- Mestre! Nunca pensei, como nazireu que sou, que me fosse lícito gostar alguma vez de uma mulher! Porquê este sentimento que agora me invade, então?
-Miqueias! Escuta: Eu nunca disse que não fosse lícito a um nazireu amar uma mulher, ter uma companheira! Vós, nazireus, apenas não deveis corromper-vos com mulheres, envolvendo-vos com as gananciosas, as prostitutas, e as que vivem levianamente, envolvendo-se elas próprias com quaisquer homens que lhes apareçam diante! Vós sois santos, separados para Mim! Mas nunca impedi nenhum servo meu, sendo nazireu, de ter sua esposa, seu lar, seus filhos, inclusive!
-Então, eu estive sempre com ideia errada a esse respeito, Mestre!
- Em parte, Miqueias! Apenas em parte! Fizeste bem em não te envolveres antes com nenhuma mulher! Mas agora, posso revelar-te algo... Tu sabes que os meus desígnios são secretos, meus, impenetráveis à mente humana!
- Sei, sim, meu Senhor!
-Pois então, agora, o que sentes começar dentro de ti, é o Amor, por essa tua amiga. E por isso te interrogas, certo?
- Sim, Mestre! Sabes que me sentia só, sempre que vindo em missão, não me encontrava  aí, na Tua Cidade Celestial... Sentia que me faltava algo, em todo este tempo!
- E nunca te perguntaste o que é que te faltava, amigo? Lembra-te lá! 
-Acho que me sentia como Adão, antes de lhe teres dado Eva!
- Isso mesmo! Desde sempre, reservei para ti um tempo em que poderias, por fim, viver com alguém de quem gostasses mesmo! Alguém como a Isabel! Que esteja ao mesmo diapasão que tu! Esse tempo chegou, finalmente! A tua missão principal está cumprida! Desempenhaste, finalmente, tudo o que esperava de ti, em relação a este planeta! Mas Eu conheço-te desde que te criei, conheço-te melhor do que tu mesmo, alguma vez possas pensar! E sei, ainda que possas não mos expôr, dos teus anseios mais íntimos! Isabel é a alma gémea da tua, e que reservei para ti, que sempre me obedeceste e serviste o mais fielmente possível! É essa a tua recompensa!
Miqueias, prostrado de joelhos, adora o seu Senhor, emocionado, de lágrimas nos olhos. Por fim, consegue expressar um pouco da sua gratidão:
- Graças, Mestre! Mas ela é bastante mais jovem do que eu!
- Sim! Em termos de criação, a alma dela é jovem, por assim dizer, enquanto a tua é bastante antiga! Mas isso não importa! Para Mim, a idade física é um pequeno detalhe. E a alma é eterna, intemporal! Para juntar as almas gémeas, a linha do tempo deixa de ser importante. Vocês são perfeitos um para o outro! Para ela, é também a maior das recompensas que lhe posso dar! Ela merece-te tanto como tu a mereces! E, acredita em Mim, que a conheço bem, não te vai falhar! É a companheira ideal para ti!
- E como ficaremos juntos? Não tenho eu de regressar para junto de Ti, Mestre?
- Sim, meu amado Miqueias! Claro que tens! Mas, fá-lo-ás, desta vez, junto com ela!
-Ela não vai morrer, pois não?
-Não! Vou arrebatá-la junto contigo, pois o seu tempo neste planeta já está cumprido! Vou apenas dar-vos tempo para que vos ajusteis um ao outro, e para vos unirdes legalmente.
Um sorriso de felicidade, que mais parecia um raio de sol, iluminava agora o rosto de Miqueias:
Isabel era, então, aquela por quem sempre ansiara, mesmo sem o saber! E seria sua companheira para sempre! O seu coração exultava.
Por seu lado, o Mestre sabia que a própria Isabel também se interrogava sobre o mesmo assunto.
Com efeito, fechada, por um pouco, no seu próprio quarto, a jovem mulher orava, expondo também ela ao seu Mestre o que lhe ia no coração. E Ele esperava que ela terminasse de o fazer para lhe responder também. Ela merecia-o, pois fora sempre obediente à voz do Espírito, tal como Miqueias. Ela própria escolhera não se envolver com nenhum homem, sem que Deus lho designasse e lho revelasse. Mas sentia uma confiança inusual para com Miqueias, e interrogava, agora, também ela, o Mestre:
- Senhor: sabes o que sinto, por estar perto do Miqueias! Diz-me, Mestre: acaso ele é aquele que Tu designaste para estar comigo? Será ele o homem que tens reservado para mim?
-Minha filha! Como a tua intuição te ilumina bem! Acertaste! Eu nunca permitiria que ninguém ferisse o teu coração, já que tu mo consagraste! Miqueias é, de facto, o companheiro que te tenho destinado, desde sempre! Conto contigo, para continuar a tratá-lo com todo o respeito e carinho que ele merece! Só ele te pode fazer feliz! Se o aceitares, claro! Estás disposta a ficar com ele, sujeitar-te à sua comunhão e presença na tua vida?
- Sim, Mestre! Estou disposta a isso! Sempre Te obedeci, Senhor! Sempre Te escutei! Farei o que Tu quiseres!
-Se ambos fizerdes sempre o que vos mando, podereis estar constantemente perto de Mim, e sereis felizes juntos!
-Acatarei a Tua Santa direcção, como sempre, meu Senhor! Sabes que te amo e que confio em Ti! Não desejo que nada mude em relação a isso, Mestre! Sabes que nunca me sujeitei a ninguém mais do que a Ti e aos meus pais! Agora que sou adulta, livre, posso decidir o meu caminho. E Tu sabes que sempre optei por deixar a Teu cuidado a direcção da minha vida! Estou feliz, por sempre o ter feito, desde que me tornei adulta e responsável, como Tu bem o sabes, meu Amado Mestre! A Tua Sabedoria é a minha bússola, Senhor!
- Minha amada filha! Amo-te!
- Sim, meu Senhor, meu Deus! Eu sei, e por isso, também te amo e te adoro, te venero, acima de tudo!
- Isabel! Sabes que desejo que sejas feliz! Quando chegar a hora, unir-te-ás, com a minha aprovação, ao Miqueias, e ambos virão juntar-se a Mim! A tua missão aqui está a terminar, e a de Miqueias também! Não passarás pela morte física! Nem Ele! Arrebatar-vos-ei!
- Mas teremos de aguardar o Grande Arrebatamento da Humanidade, Mestre?
- Não, minha amada! Vireis ambos em breve, antes disso! Apenas tendes de acertar algumas pequenas coisas, aí no planeta Terra, e unir legalmente as vossas vidas! Proporcionarei tudo, de modo que o possais levar a cabo sem dificuldade, pois essa porta está aberta para vós os dois, desde agora, e ninguém se interporá! Consagrareis a vossa união fisicamente, antes de virdes, para a vossa maior intimidade e felicidade. Aqui, junto a Mim, as vossas almas estarão em união completa, e tudo o que quiserdes fazer, nessa altura, fá-lo-eis unidos, em total concordância. O vosso amor será eterno e indissolúvel!
Passou algum tempo. Tudo o que o Mestre vaticinou, a essas duas almas, que O amam e servem fielmente, se cumpriu... Só ainda não partiram para junto d’Ele... Mas a hora está chegando, e eles, unidos agora de modo definitivo, vivem o seu amor intensamente. Estão felizes, não só por se amarem e estarem juntos, mas, também, por saberem e sentirem que valeu a pena toda a obediência a que se sujeitaram para com o seu Mestre adorado: a recompensa d’Ele para as suas vidas é a própria felicidade de ambos!


FIM


Nely,
2 de Abril 2017
Nota: a)Um nazireu é um rapaz/homem consagrado ao serviço de Deus desde o ventre de sua mãe. Na Bíblia, Antigo Testamento, na Lei de Moisés, encontram-se relatados  e estabelecidos os preceitos e regras específicos e rígidos, para o tipo de vida que esses escolhidos e consagrados deveriam seguir, para serem verdadeiros servos de Deus. Chama-se a isso "a lei do nazireado". Alguns desses princípios estão mencionados neste conto.
b) As situações e personagens existentes neste conto são fictícias, excepto o Mestre, pois trata-se  de Jesus Cristo.